Tuesday, October 20, 2009

Escrever no computador ou com caneta e papel activa partes diferentes do cérebro

"There was some research done into what parts of the brain were triggered when writing at a computer versus what parts were triggered when writing with a pencil and paper. The experiments showed that writing by hand triggered activity in significantly different portions of the brain than when writing at a computer. (See Mozarts Brain and the Fighter Pilot book.)"

Há uma diferença nas capacidades motoras exigidas para as duas actividades, mas os estudos mostram que se vai muito para além disso. A verdade é que pensamos de forma diferente, estando no computador ou com a caneta na mão. Isso tem implicações na criatividade. Quando mudamos a forma como registamos os nossos pensamentos, alteramos os neurónios que disparam no cérebro. Usar neurónios diferentes permite estabelecer diferentes tipos de ligações e associações neurológicas.

Por isso, se mudarmos a forma de escrever frequentemente, podemos atingir o nosso potencial mais elevado. Sempre que muda de ferramentas faz novas associações de ideias. Os compositores usam este método há séculos: mudan de instrumento de música quando estão a compôr. Pensam assim no "problema" musical de forma diferente.
Confesso que escrevo metade dos meus livros em blocos e metade em computador. A junção dos dois dá-me uma abordagem mais completa. Há várias formas de estimular a criatividade, e concordo com a que fornece o autor de Productivity 501
- Mude o local físico onde trabalha: com o computador portátil, experimente ir para uma esplanada e ver o que se passa...
- Fale com outra pessoa. Discuta com alguém que está completamente fora da sua área. O processo de definir o problema para alguém novo permite obter clareza...
- Faça uma actividade que não tem nada a ver, melhor se for algo que nunca fez antes! Tomar café num sítio diferente, mudar de país... A ideia não é passar a vida a mudar de ferramenta ou cenário, mas fazê-lo de vez em quando... com um objectivo criativo
Jorge Humberto sent you a message.

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Subject: Buda CEO

Bom dia,

Desde já os meus parabéns pelo livro. Parabéns por alertar para temas que são difíceis de entender pela maioria das pessoas, ou, em muitos casos, os indivíduos recusam-se a sair da sua zona de conforto e encarar a realidade.

No entanto há dois pormenores que gostaria de lhe referir. Para o primeiro pormenor tenho de fazer uma pequena introdução; tem noção que durante a nossa infância (e posso assim falar porque não temos grande diferença de idades) não havia televisão - ou quem tinha acesso tinha de se limitar a programas a preto e branco muito básicos - nem computadores, nem nenhuma tecnologia muito avançada, o que implicava brincar com o que houvesse à mão, inventando histórias, fazendo de um pau uma espada, um cavalo, ou uma escultura, de uma pedra uma bola, um avião ou um animal de estimação e de uma folha de árvore uma boneca, comida ou roupa.

O engraçado no meio disto tudo é que cada criança, no seu canto do mundo, inventava as suas brincadeiras que por sua vez eram influenciadas pelas culturas, valores e crenças da sociedade onde se inseriam. Isso implicava uma multiplicidade de invenções e provocava uma enorme diversidade de formas de pensar – que estão reflectidas actualmente.

Ou seja, embora à primeira vista o problema fosse o mesmo, brincar, as soluções finais divergiam (até dentro do mesmo país).

Quando acabei de ler o capítulo 5, da parte I, embora concorde no essencial, não concordo que a humanidade esteja a ficar mais inteligente – pelo menos numa perspectiva de longo prazo.

Ou esta nossa realidade é falaciosa e estamos todos no meio de um jogo, ou, há alguém a querer algo mais do que colocar jovens a jogar.

Onde é que eu quero chegar? Se há 40 anos colocávamos cinco crianças/jovens de diferentes continentes numa sala e lançávamos um desafio idêntico a todos, íamos, como uma forte probabilidade, obter cinco soluções muito díspares, o mecanismo de pensar de cada um deles era diferente.

Mas como será daqui a 40 anos, se actualmente as brincadeiras são iguais em qualquer parte do mundo? Os mesmos jogos, as mesmas consolas, as mesmas séries, os mesmos heróis, ou seja a mesma forma de pensar.

A sociedade actual está a formatar os jovens para terem um esquema de raciocínio muito idêntico, desafios por níveis e viver muito no virtual sem terem muito activa a parte da consciência para as consequências reais das suas decisões virtuais.

Antigamente se o meu brinquedo era um pau os meus sentidos estavam todos apurados, o tacto, o olfacto, a visão, poderia sentir prazer mas também poderia sentir dor (partindo o pau), tomava consciência real desta dualidade. E agora no virtual o que acontece se eu brincar com um pau? A que cheira? Como é a sua textura?
Neste cenário coloco as seguintes questões:
Se daqui a 40 anos repetirmos a experiência qual a probabilidade de termos resultados muito semelhantes?

Qual o perigo de se estar a “formatar”, de forma idêntica, um grande número de jovens?

Não me posso esquecer que a História nos diz que ciclicamente surge alguém a querer ser dono do mundo dominando o que de mais avançado existia na altura. Esta forma de evolução não deixa de me assustar um pouco.

O segundo pormenor tem a ver com conceitos. Produto, em Marketing, significa qualquer forma de satisfação de necessidades humanas trocável no mercado (João Coelho Nunes – Marketing em Portugal), sendo assim referir-se a Produtos e Serviços é uma redundância.

Nota: posso trocar a custo zero.

Bens e Serviços seria, na minha perspectiva, o texto adequado - considerando como bens tudo aquilo que tem forma e que não necessita de ser consumido na altura em que é produzido e serviço tudo aquilo que não é possível criar stock, ou seja, temos de produzir e consumir em simultâneo.

Esta mensagem já vai longa mas com todo o gosto estarei à sua disposição para discutir outros temas que igualmente suscitam questões.

Mais uma vez os meus parabéns pelo livro, que para mim teve uma vantagem “obrigou-me” a criar um blogue onde irei colocar um link para o seu neuroeconomia.

Cumprimentos,
Jorge Humberto Gonçalves