Wednesday, October 1, 2008

Neuroeconomia

Budha CEO:

Práticas de Meditação para Empresas de Sucesso

(Publicação em 2008 pela Editorial Notícias)

 

Dedicado ao meu pai, um aventureiro, e à minha mãe, uma apaixonada. Este livro é uma espécie de progressão do cérebro esquerdo para o direito. É apenas o nosso mental que faz essa distinção, essa polaridade, mas a verdade é que precisamos dos dois: é onde está todo o poder. Agradeço a ambos pelo seu apoio, e guardo-os para sempre no meu coração. “Encostada à minha mãe, e a meu pai lá no astral, para sempre eu quero estar”.

 

 

Introdução

 

A alma da empresa

 

A vida não é um negócio a gerir, mas um mistério a viver

Osho

 

 

A espiritualidade já foi um tabu no local de trabalho, mas acontecimentos como o 11 de Setembro forçaram líderes e povos do mundo inteiro a repensarem a integração de práticas espirituais nas suas actividades diárias. A globalização a isso obriga: contactos com novas culturas obrigaram as empresas a tratar os seus empregados de forma holística, com os seus valores e crenças pessoais.

Das secretárias aos CEO, muitos empregados de empresas querem hoje levar o seu corpo, mente e espírito, com a manutenção que exigem - de simples práticas espirituais, à meditação ou yoga -, para o local de trabalho. Mais do que oferecer um ginásio, como se tornou prática nos benefícios para Recursos Humanos na listagem das Melhores Empresas para Trabalhar, as organizações devem agora oferecer um terreno fértil para o desenvolvimento pessoal como um todo. Ou seja, transformar o fitness corporal em fitness emocional. As pessoas querem crescer no seu local de trabalho, evoluir, e não apenas envelhecer, cumprir ou receber uma mera retribuição monetária pelo seu contributo, de corpo e alma. Chegou a altura das empresas entregarem, também, a sua alma.

O enfoque no empregado é uma viragem a nível mundial. A Ernst and Young, por exemplo, começou, nos EUA, a implementar um programa de integração da vida e do trabalho em 1997, depois de perder milhares de dólares devido a taxas de rotação de empregados elevadas na sua população feminina.

Ainda assim, permanece uma falsa polaridade entre a empresa e os seus produtos por um lado, e as pessoas que ali trabalham, por outro. Mas uma abordagem espiritual das empresas implica ver o emprego como uma oportunidade para crescer individualmente, e não apenas para envelhecer. Daí todas as novas correntes de gestão, como a Gestão por Valores, com um sucesso crescente junto da força de trabalho, e também nos lucros.

Fala-se também, actualmente, em física quântica e em saltos quânticos – são alturas em que se passa de uma etapa da evolução para outra, em pouco tempo, sem transição, e é bem possível, nesses termos, que estejamos no limiar passar do capitalismo para uma economia espiritual. O objectivo desta economia seria maximizar os lucros não apenas num produto material, mas também em termos de output de energia vital, um output mais focado em significados mentais e supra-mentais.

Estamos no começo, e isso é visível no estímulo da criatividade, preocupações ecológicas e éticas no local de trabalho. O movimento está a alargar-se progressivamente para uma criatividade interior, individual.

Estimular a criatividade interior, com uma transformação de emoções negativas em positivas, permite aceder à alma do empregado, criar felicidade, vitalidade e significado nas empresas. A verdade é que pessoas felizes produzem melhores produtos, ou seja, fomenta-se também a criatividade exterior. É do plano mais subtil e interior que se melhora uma produtividade material e lucros exteriores.

 

A Terra é um organismo vivo

 

“A Nova Economia vai ter fome”, anunciava recentemente Lester Brown, um dos grandes defensores mundiais do planeta, que produz, no seu Earth Policy Institute, relatórios e estudos independentes sobre o nível dos oceanos, evolução de colheitas e outros indicadores. “Estamos a passar cheques sem cobertura. E não há provisões”, diz Brown. A economia não pode sobreviver a um esgotamento dos recursos do planeta, e passámos para o estado de emergência superior.

Brown explica que existem muitos exemplos, na história, de civilizações que desapareceram: os Sumérios, porque o seu sistema de irrigação não funcionava e inundou de sal as terras cultivadas; os Maias, com a desflorestação e erosão dos solos; os habitantes da Ilha de Páscoa, que não podiam fabricar mais barcos de pesca depois de terem cortado todas as árvores.

Daqui a 20 anos, no máximo, se os comportamentos não mudarem, não sobreviveremos à destruição do nosso ecosistema. Basta ver os números. Desde os anos 1950, a população mundial passou de 2,5 para 6 mil milhões de habitantes e a riqueza média do terráqueo foi multiplicada por sete. Ao mesmo tempo, os recursos naturais entraram na sua fase final de esgotamento: as descobertas petrolíferas de 2004 foram de um quarto do consumo mundial. Florestas dizimadas, desertos em expansão, stocks de pesca em  baixa... Brown defende que se deve criar um orçamento de restauração do planeta – para reflorestar, restaurar a pesca, proteger a diversidade biológica e aumentar a produtividade da água para estabilizar as reservas e restaurar o fluxo dos rios. São medidas a adoptar à escala planetária.

A verdade é que o nosso recurso mais escasso para sustentar o progresso económico é o tempo. Com as mudanças climáticas, estamos próximos de um ponto de não retorno. Seria tentador reiniciar o contador, mas não podemos fazê-lo: a natureza é o nosso cronómetro. Estamos num momento decisivo. Tal como outras civilizações no passado, podemos decidir continuar os negócios como habitualmente e assistir ao declínio da economia e ao seu colapso, ou passar para um Plano B, a construção de uma economia para sustentar o progresso económico.

Esta será a decisão da nossa geração, sem dúvida. E vai afectar a vida na Terra de todas as gerações a seguir. Urge por isso libertar a criatividade de todos e tentar provocar um salto quântico na nossa realidade. Neste campo, as empresas estão bem posicionadas para se tornarem agentes de mudança. Algumas, de facto, estão a insuflar princípios éticos, de responsabilidade social e dão prioridade à libertação do potencial de criatividade dos seus empregados.

“Não quero viver uma vida com a ilusão de estar a mudar algo, quando sei que a cada cinco segundos morre uma criança”. A frase é de Tex Gunning, presidente da Bestfoods Ásia. A missão que escolheu na região foi a resposta a necessidades nutricionais das crianças. “Um líder médio toma conta de si e da família. O bom líder toma conta de si, da família e da comunidade”, refere Gunning. O ideal, então, é sermos todos como voluntários – voluntários pagos numa organização de serviços à comunidade. “Neste cenário, precisaríamos de metade das politicas, formação e valores declarados geralmente presentes nas empresas, porque as pessoas viveriam os seus valores mais profundos em todas as áreas da sua vida”, salienta.

Cada vez mais se aceita que todos fazemos parte de um todo: o planeta é um organismo vivo, que respira – ou não. Da mesma forma, a empresa tem um papel na sociedade e não pode produzir as sementes da sua destruição.

Muitas empresas começaram pela sustentabilidade ecológica, e a próxima etapa é uma consciência do movimento de evolução da consciência. Esse movimento é simbolizado pela passagem do material para o imaterial como prioridade. No entanto, mais do que filosofar, é importante descrever meios para chegar à transição para uma nova economia do significado, e apresentar ferramentas que levem o indivíduo ao seu interior.

Existem várias formas de meditação, da mais yin, ou interior e individual, à mais yang, ou social – em que a interacção é uma componente fundamental da técnica.

Uma das grandes correntes de meditação activa, a de Osho, escolheu trabalhar terapias yang. O guru             que deu o nome aos centros como o Osho Institute of Self Management já faleceu. Os seus seguidores não usam a empresa como ponto de partida, e começam pelo indivíduo. Está provado que uma força de trabalho física, emocional e mentalmente optimizada resulta numa empresa saudável, e sobretudo consciente. Sem querer discutir a técnica em si, desenvolvida em capítulos seguintes, basta saber que as lições aprendidas pelo indivíduo no trabalho têm impacto sobre todos os outros aspectos da sua vida.

Muitos participantes nos programas de Osho para empresas, por exemplo, podem tomar consciência de que “tendem a ter comportamentos mecânicos e automáticos, e não intencionais e conscientes”. Não agem, reagem perante os problemas, o que significa o mesmo do que ter uma criatividade nula.

Assim, aprender a estar presente é extremamente importante. Descobre-se como estar receptivo ao que acontece em si e à sua volta. Desenvolve-se mais o respeito pelo próprio e pelos outros, o ouvir-se a si próprio e aos outros, e isso repercute-se em relacionamentos mais harmoniosos, com efeitos no trabalho de equipa e impulso na criatividade, clareza e resolução de problemas, capacidade de resposta e não de reacção e domínio emocional. Melhora-se a auto-estima, a saúde, e diminui-se o stress.

Técnicas como a meditação permitem ter empregados vivos e presentes, e não perdidos num sonho existencial sobre o passado angustiante e o medo do futuro. Na perspectiva da empresa, que paga pela “presença” do indivíduo durante as horas de trabalho, ter apenas o “corpo” presente no local de trabalho não chega. Os lucros e sucesso podem ser indicadores ideais de como as pessoas conseguem trabalhar juntas. A empresa consciente pode ser uma realidade, funcionando preferencialmente como organismo, em vez de uma organização, uma mais no panorama empresarial. Na Índia, empresas como o grupo Godrej, a Tata Technologies, executivos do Times of Índia e a força policial de Pune ganharam com a implementação de seminários de Osho nas práticas diárias dos seus negócios ou actividades.

 

Efeitos fisiológicos da meditação que já se fazem sentir

 

Nicholas Hall, cientista na Universidade da Florida do Sul, estabeleceu uma ligação entre a saúde e expressão emocional. Pesquisadores concluíram que o sistema imunológico dos actores é melhorado, em resultado directo da sua vontade de expressar sentimentos como a raiva, angústia etc. Annette Stanton da Universidade do Kansas descobriu que meditações activas de Osho durante três meses, com um processamento activo de emoções de todo o tipo estava associado a maior vigor, menos consultas médicas para doenças relacionadas com cancro. David Spiegel do Stanford Medical Center descobriu que os efeitos a longo prazo da expressão emocional nas mulheres com cancros da mama com metástases mostraram que a vontade de enfrentar, expressar experimentar e ventilar sentimentos duplicavam o tempo de sobrevivência de mulheres seriamente doentes.

Ainda assim, permanece uma falsa polaridade entre a empresa e os seus produtos por um lado, e as pessoas que ali trabalham, por outro. “Ensinaram-me uma coisa: a espiritualidade e os negócios não se misturam. As pessoas querem soluções para problemas de gestão, e não problemas espirituais”. Assim falava o instrutor de David Miller, na IBM, em 1979. Miller, autor de God at Work, The History and Promise of the Faith at Work Movement, é hoje director do centro da Universidade de Yale para a Fé e Cultura, e professor de ética empresarial. Trabalhou 16 anos em empresas internacionais como executivo sénior, e conhece as duas faces da moeda.

As universidades integram cada vez mais opções de gestão da diversidade nos seus cursos, convidam Deepak Chopra para falar da alma do líder ou promovem a prática de técnicas de auto-desenvolvimento. “Como executivo sénior do sector financeiro, em Londres, a dada altura perguntei-me qual era o sentido da minha vida e do meu trabalho. Passava ali muitas horas todos os dias, e gastava a minha energia criativa toda no trabalho. Achava que deveria receber mais do que um salário bom, ou que as coisas deveriam ter outro significado. Pensar de forma teológica sobre esse assunto e outros tornou-se um factor de integração importante para mim”, explica Miller.

O seu livro estuda o movimento FAW (Faith at work), na América empresarial, mas pode ser extrapolado para outras regiões do mundo. Muitos factores lideram a mudança. Por vezes são os próprios empregados que o pedem, outras vezes surge no contexto de outras práticas.

Há um novo chavão de ‘tratamento holístico das pessoas’ das empresas. Todos concordam que o ser humano é feito de mente, corpo material e espírito ou alma! Por isso, é impossível tratar empregados de forma holística sem considerar o que lhes vai a alma. Não se pode afirmar ter uma política de inclusão e diversidade se não se respeitam uma diversidade de visões do mundo e tradições na fé”, explica Miller.

O grande futurista e guru da gestão Alvin Toffler fala desta tendência no seu ultimo livro, Riqueza Revolucionária (Knopf, 2006). Numa entrevista recente à Strategy & Business falava dum revivalismo de todas as religiões. “Atribuo isso ao grau elevado de incerteza em que vivemos. O pessimismo também é afectado pelo envelhecimento da população, porque quanto mais velha a população, mais pessoas estão, digamos, na recta final. Preocupam-se com a sua mortalidade”, dizia.

A verdade é que a espiritualidade serve três grandes funções na sociedade, segundo Toffler. Oferece às pessoas uma visão sistémica do mundo. Dá-lhes uma comunidade, pessoas que partilham os mesmos valores, e dá às pessoas uma estrutura num ambiente não estruturado, em que as coisas estão caóticas. “Este é um enfoque na funcionalidade da espiritualidade na sociedade, mas há mais do que isso. São as crenças que conduzem as pessoas para diferentes estilos de vida, não com a expectativa de benefícios materiais, mas porque acreditam que devem fazê-lo”, salienta Miller. Talvez por isso empresas como a Tyson Foods, American Express, Citibank, IBM, Coca-Cola e muitas outras estejam a debruçar-se sobre o assunto.

Os benefícios são muitos, incluindo a atracção e retenção de pessoas de topo, melhores culturas empresariais e aumento dos recursos devido a uma consciência ética. As empresas não devem ditar o que as pessoas fazem na sua vida privada – são as pessoas que o fazem. Se alguém quiser manter esses mundos separados, que o faça, não a empresa. A verdade é que a maioria quer uma vida integrada, e julga problemático e por vezes impraticável viver uma vida dupla, em que a vida profissional e a vida pessoal estão desconectadas.

Uma empresa com gestão holística dos recursos humanos melhora a sua cultura, a tolerância e respeito nas fileiras. Funções diárias de rotina adquirem mais significado. E há um acesso a recursos éticos frescos. Isto porque as pessoas querem ser quem são 100% do tempo.

É importante não esquecer que por detrás de grandes líderes de empresas estão hoje consultores e gurus espirituais. As portas estão abertas, mas cépticos questionam as motivações de empresas nesta abertura espiritual. Será que a alma da empresa está a emergir e a substituir o “gestor minuto” e “nadando com os tubarões” no local de trabalho? As pressões são muitas, a lealdade dos empregados é pouca. A força de trabalho tem de fazer muito com poucos meios, vive dias de 12 horas com overdose de informação. Introduzir valores de espiritualidade e auto-desenvolvimento parece ser um contra-peso ideal.

E a verdade é que caminhamos para índices como o de Felicidade Nacional Bruta para substituir o PIB como barómetro do bem-estar das nações. O PIB não contabiliza aspectos sociais negativos num país (prisões) ou serviços de equilíbrio familiar (pais que tomam conta dos filhos). Não contempla o número de obesos, o uso de anti-depressivos e outros factores de infelicidade ausentes dos números. O que não pode ser avaliado não é gerido, e a proposta de um FNB, defendida por vários consultores internacionais, traria essas realidades para a luz do dia. As empresas fazem parte de um sistema interligado, quer o saibam, quer não.

 

Não trabalhe onde não viveria

 

Como diz um dos gurus entrevistados neste livro, Wilbert Alix, “o ideal é não trabalhar onde não viveríamos; ter um trabalho que poderia ser o programa de férias de outra pessoa, e ter um trabalho que, no limite, poderíamos fazer de graça – se não nos pagassem, fá-lo-íamos por gosto”. São esses os critérios das técnicas de meditação para empresas.

Um punhado de inovadores, consultores, empreendedores idealistas e presidentes de empresa apaixonados estão a tentar mudar a gestão dos negócios. Os MBA que saem hoje das melhores universidades também escolhem cada vez mais a imersão em mundos alternativos versus multinacionais tradicionais, envolvendo-se em projectos sem fins lucrativos.

A Microsoft trava hoje uma batalha pelo mercado com a Linux, sistema operativo aberto mantido por uma tropa global de programadores voluntários. Na indústria do entretenimento, o site de partilha de ficheiros musicais Napster foi bloqueado com sucesso, mas surgiram dúzias de clones no seu lugar, com novos sites que permitem downloads de filmes. Novas indústrias e instituições enfrentam ondas de novos consumidores, que produzem e consomem produtos e serviços fora da economia monetária. Esta é uma mudança histórica na forma como a riqueza é criada.

A par deste fenómeno, temos uma dessincronização das instituições da sociedade. Financeiros inventam novos derivativos mais rápido do que os governos inventam novos regulamentos; professores de escola com livros de estudo antiquados lutam para manter-se interessantes para alunos que podem aceder ao Google do seu telemóvel.

Na Internet, a dimensão humana está a ganhar novos contornos. No ambiente tridimensional do Second Life, o foco voltou a recair sobre o ser humano, nas suas inter-relações sociais, na forma como se movimenta em ambientes e espaços e estabelece parcerias, acordos, contactos, e amizades. Quando uma empresa coloca uma presença virtual no ambiente do Second Life, está efectivamente a humanizá-la de uma forma que não era possível na Web. O que vai naturalmente obrigar todo o mundo económico a repensar a sua estratégia de proximidade com os seus clientes.  Em vez de colocar uma "barreira de informação" — representada por um site Web de complexidade crescente ao longo dos anos — vai colocar pessoas. Pessoas a dialogar com pessoas, a estabelecer contactos, a explicar aquilo que uma página Web, por mais dados que tenha, não consegue. A Web representa o apogeu de um manancial de dados — que necessitam de seres humanos para os converter em informação. Ambientes como o Second Life, por apostarem fortemente na interacção social personalizada, vão colocar o foco nessa informação, processada por seres humanos a partir dos dados disponíveis na Web.

Estamos no limiar de uma transformação importante. A médio prazo, navegaremos na Web num espaço tridimensional — e partilharemos a navegação com colegas, professores, amigos, empregados e funcionários. O acto de "navegar na Web" à procura de informação deixará de ser solitário. Tudo isto vai certamente transformar gradualmente a forma como encaramos o acesso (remoto) ao mundo económico. Na verdade, o que se passará é que esse "acesso remoto" será bastante mais semelhante ao que se passa hoje em dia quando nos deslocamos a uma loja para adquirir um produto, ou a um edifício de escritórios para ter uma reunião. Os espaços e as interacções são os mesmos; a única diferença é não estarmos restritos à proximidade geográfica.
As noções de "distância geográfica" perderam completamente o sentido.  A nossa rede social privada vai ser adequada aos nossos interesses comuns com seres humanos em todo o mundo, e não terá limites nem barreiras geográficas. O próprio conceito de "globalização" vai deixar de fazer sentido.

As redes sociais são a maior aposta da sociedade em rede, uma vez que se centram na necessidade mais básica do ser humano: comunicar. Não existe a "necessidade de uma vida alternativa". Existe sim a necessidade de comunicar e de nos conhecermos a nós próprios. A maior vantagem reside precisamente nessa reflexão que permite um melhor auto-conhecimento. Assim, o CEO terá de se aproximar mais de Budha e adoptar uma postura mais espiritual, que lhe permita abarcar o máximo de perspectivas possíveis e posicionar-se no clã dos sobreviventes às grandes transformações que se fazem sentir no planeta.

A espiritualidade, reduzida à sua essência mais fundamental, significa apenas uma mudança de ponto de vista, uma consciência dos processos, como observador, sem um apego a qualquer um dos processos observados. Budha CEO passa em revista uma série de técnicas modernas, hoje em voga, para promover empresas mais meditativas e novas perspectivas. Na primeira parte, Um Budha nas Ciências, teremos uma incursão às ciências, das económicas à neurológicas, para perceber que novas descobertas sobre o cérebro confirmam a necessidade de mudar de paradigma.  Quando perceber a forma de recorrer a uma nova fonte de poder no conhecimento, como a das multidões, empreendedores mais pobres, e tirar partido dos processos cognitivos reais, e não aqueles que imaginamos conduzir às decisões, passará uma nova etapa. Perceberá como chegou e chega à sua realidade, e estará pronta para criá-la de raiz. Na segunda parte, em Um Budha na Espiritualidade Extrema, veremos como passar para uma nova economia, aproveitando práticas mais individuais que resultam em melhores resultados colectivos. Nesta fase, serão a empresa e o gestor a criar a sua própria realidade, pelo pensamento.

 

 

 

Géraldine Correia

Jornalista de Economia e Escritora

15 de Outubro de 2007

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