Tuesday, December 30, 2008

Serotonina intervém quando aceita um mau negócio

Cientistas descobriram que a probabilidade de impor a alguém um mau negócio depende do nível de serotonina da outra pessoa, um neurotransmissor criado no corpo por um amino ácido obtido na alimentação.
Numa experiência relatada na revista Science, pesquisadores manipularam o regime alimentar de voluntários, e as pessoas com níveis de serotonina reduzids mostraram-se menos capazes de fechar negócios num jogo. As regras implicam que uma pessoa proponha uma forma de dividir dinheiro entre dois jogadores. Se o segundo concordar, obtêm o dinheiro. Se não concordar, ninguém ganha nada. Quando o primeiro jogador propõe ficar com a maior parte do dinheiro, o sgundo aceita metade das vezes, por ser melhor ficar com menos do que sem nada, apesar de lamentar a injustiça. Na experiência, os jogadores rejeitaram o negócio 80% das vezes quando os níveis de serotonina estavam baixos.

O Poder dos Números na Inovação


Os génios não são personagens solitárias e a inovação não acontece no isolamento. Uma invenção produtiva depende do encontro de mentes com diversas perspectivas, mesmo que os inovadores não o percebam... Esta é a conclusão de um artigo do New York Times, com base num livro de Keith Sawyer, da Washington University, Group Genius, que propõe um método científico chamado análise de interacção para o estudo da criatividade. Através de sinais verbais, linguagem corporal e ajustamentos durante os esforços de invação de um grupo, Sawyer mostra que temos a experiência de uma intuição súbita mas esta circula numa interacção social há já algum tempo. A inovação é um processo contínuo de mudanças reduzidas e consantes que se inscreve na cultura das empresas de sucesso.
A ideia foi retomada em empresas como a Pixar Animation Studios e Disney Animation Studios, num artigo sovre criatividade colectiva da Harvard Business Review. No entanto, o processo nada tem a vr com brainstorming. Pelo contrário, em vez de identificar um problema e procurar soluções, é melhor decompor produtos de sucesso e processos em componentes separadas, e depois estudar essas componentes para estudar potenciais utilizações. Este processo de "pensamento inventivo sistemático" evoluiu da obra do engenheiro russo e cientista Genrich Altschuller, e cria ideias "pré-inventivas" que podem ser desenvolvidas em inovações.

Wednesday, December 10, 2008

Gestão do tempo

Somos todos excelentes a gerir o tempo, mas algumas pessoas reconhecem mais do que outras que estão a fazer aquilo que querem fazer, enquanto outras mantêm a ilusão de que desejariam estar a fazer outra coisa.

A gestão do tempo não é mais do que mudar os seus hábitos e tornar-se o tipo de pessoa que fará no futuro as coisas que deveria estar a fazer e não as coisas que sabe que estaria a fazer na altura. 

Tuesday, December 9, 2008

Janelas quebradas aumentam mesmo criminalidade


Alguns estudos, e nomeadamente o livro de Malcolm Gladwell, Tipping Point, sobre os momentos de viragem, explicam que um ambiente de "janelas quebradas", ruas sujas, graffitis, pode incitar à violência. Pois bem, uma experiência comprovou este efeito.
O fenómeno de janelas quebradas diz simplesmente que vidros partidos num edifício levam rapidamente a quebrar mais janelas, mais vandalismo e mesmo arrombamentos. Ou seja, a tendência de comportamento das pessoas num certo sentido pode ser reforçada ou enfraquecida consoante a sua observação daquilo que os outros fazem.

Um lugar cheio de graffitis e lixo torna as pessoas desconfortáveis. 

E com razão, segundo pesquisadores holandeses. Kees Keizer e os colegas na Universidade de Groningen criaram este tipo de ambiente e uma série de experiências para descobrir se os sinais de vandalismo, lixo e sinais de pequenos delitos podiam mudar o comportamento das pessoas. a resposta é afirmativa, e em muito: duplica o número de pessoas preparadas para deitar lixo e roubar. As pessoas não copiam exactamente o mau comportamento, mas podem violar outras normas de comportamento. 

Veja aqui um artigo do Economist que fala sobre o assunto.

Thursday, December 4, 2008

Aumentar o QI com sal iodado

Parece que os países do terceiro mundo poderiam aumentar a inteligência das populações com simples substâncias a acrescentar na alimentação. O sal iodado é uma alternativa simples e barata. A sua falta provoca bóssio, nanismo ou cretinismo (do francês crétin, por faltar iodo nos Alpes e haver pessoas mais lentas numa geração sem acesso a sal iodado) , e no melhor dos casos lentidão mental.
Outros micronutrientes como a vitamina A, ferro, zinco e ácido fólico são soluções baratas, mas pouco sexys - logo pouco divulgadas -, discutidas no Copenhagen Concensus, painel de economistas globais de topo sobre as melhores soluções custo-benefício para problemas mundiais.
O Banco Mundial disse dos micronutrientes: "Nenhuma outra tecnologia oferece tantas oportunidades de melhoria da vida, com um custo tão baixo e em tão pouco tempo". O Canadá já está a fazê-lo.
Leia aqui o contexto original da notícia no New York Times.

Qual o seu risco de divórcio?


Veja aqui uma ferramenta para calcular, com base em estatísticas simples, o seu risco de divórcio. O site original da notíca é a coluna Freakonomics do New York Times, de Justin Wolfers.

Thursday, November 27, 2008

Mais sobre sociedades de insectos - com aplicação nos mercados financeiros


As formigas e outros insectos "sociais" tornam-se melhores nas suas competências quando há trabalho de cooperação. o seu comportamento responde aos princípios de eficácia ergonómica representados pelos teoremas de Barlow-Proschan (complexo). Quando a competência individual é fraca, diz o primeiro teorema, a fiabilidade de um sistema de indivíduos que agem em conjunto é menor do que a soma das competências dos indivíduos que agem isoladamente; mas quando a competência individual é alta, acima de um certo nível, a fiabilidade do sistema baseado na cooperação é maior. De acordo com o segundo teorema, um sistema redundante, cujas partes podem ser intercambiadas várias vezes (como os membros da colónia), é mais fiável do que dois sistemas idênticos sem nenhum sistema de partes alternativas ou de back-up. O sistema de "fiabilidade" pode ser transposto para a crise financeira mundial...
A natureza é também especialista em simbioses. Quando dois tipos de organismos vivem numa simbiose estreita, como para as formigas cortadoras de folhas, com as suas culturas de fungos, há uma comunicação entre os dois. O fungus pode assinalar às formigas a sua preferência por certos substratos vegetais ou a necessidade de uma alteração de dieta para manter a diversidade nutricionak, ou mesmo a presença de um substrato prejudicial.



Friday, November 21, 2008

A inteligência dos insectos


Eis um artigo do New York Times sobre insectos, um livro por dois vencedores do Pulitzer. Os mecanismos da inteligência colectiva são cada vez mais estudados, e os cientistas sabem que existe uma consciência na natureza, e não apenas mecanismos repetitivos...

Ontem observei durante uma hora um formigueiro, de formigas grandes como há em ÁFrica, e vi-as retirar grãos de areia um por um das suas galerias. Noutro buraco estavam a acrescentar areia precisamente. Umas atiravam a areia para longe, quando a retiravam, mas outras não se davam ao trabalho e deixavam o seu grão mesmo à entrada. Precisamente o que veria  um gigante se olhasse para nós... Será que este também se interrogaria se existe ou não uma inteligência em nós, ou se estamos apenas a cumprir mecanismos?

"Hölldobler and Wilson’s central conceit is that a colony is a single animal raised to a higher level. Each insect is a cell, its castes are organs, its queens are its genitals, the wasps that stung me are an equivalent of an immune system. In the same way, the foragers are eyes and ears, and the colony’s rules of development determine its shape and size. The hive has no brain, but the iron laws of cooperation give the impression of planning. Teamwork pays; in a survey of one piece of Amazonian rain forest, social insects accounted for 80 percent of the total biomass, with ants alone weighing four times as much as all its mammals, birds, lizards, snakes and frogs put together. The world holds as much ant flesh as it does that of humans".

Friday, November 7, 2008

Não temos consciência de crenças religiosas...

The Evil Pleasure

Pascal Boyer in Nature on religion:

One important finding is that people are only aware of some of their religious beliefs.  ... For instance, experiments reveal that most people entertain highly anthropomorphic expectations about gods, whatever their explicit beliefs. ... Research has shown that unlike conscious beliefs, which differ widely from one tradition to another, tacit assumptions are extremely similar in different cultures and religions. ... Experiments suggest that people best remember stories that include a combination of counterintuitive physical feats ... and plausibly human psychological features.  ... Experiments show that it is much more natural to think "the gods know that I stole this money" than "the gods know that I had porridge for breakfast." ...

Humans are unique among animals in maintaining large, stable coalitions of unrelated individuals, strongly bonded by mutual trust.  Humans evolved the cognitive tools to ... gauge others' reliability. ... They can emit and detect costly, hard-to-fake signals of commitment. ... When people proclaim their adherence to a particular faith, they subscribe to claims for which there is no evidence, and that would be taken as obviously wrong or ridiculous in other religions groups.  This signals a willingness to embrace the group's particular norm for no other reason than that it is, precisely, the group's norm.



Thursday, November 6, 2008

Não há diferença entre o amor e o ódio?

Scientists prove it really is a thin line between love and hate

The same brain circuitry is involved in both extreme emotions – but hate retains a semblance of rationality

By Steve Connor, Science Editor
Wednesday, 29 October 2008

Michael Douglas and KathleenTurner played a couple with a stormy relationship in the 1989 film War Of The Roses

Michael Douglas and KathleenTurner played a couple with a stormy relationship in the 1989 film War Of The Roses

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Love and hate are intimately linked within the human brain, according to a study that has discovered the biological basis for the two most intense emotions.

Scientists studying the physical nature of hate have found that some of the nervous circuits in the brain responsible for it are the same as those that are used during the feeling of romantic love – although love and hate appear to be polar opposites.

A study using a brain scanner to investigate the neural circuits that become active when people look at a photograph of someone they say they hate has found that the "hate circuit" shares something in common with the love circuit.

The findings could explain why both hate and romantic love can result in similar acts of extreme behaviour – both heroic and evil – said Professor Semir Zeki of University College London, who led the study published in the on-line journal PloS ONE.

"Hate is often considered to be an evil passion that should, in a better world, be tamed, controlled and eradicated. Yet to the biologist, hate is a passion that is of equal interest to love," Professor Zeki said.

"Like love, it is often seemingly irrational and can lead individual to heroic and evil deeds. How can two opposite sentiments lead to the same behaviour?"

The study advertised for volunteers to take part in the study and 17 people were chosen who professed a deep hatred for one individual. Most chose an ex-lover or a competitor at work, although one woman expressed an intense hatred for a famous political figure.

Professor Zeki and John Romaya of the Wellcome Laboratory of Neurobiology analysed the activity of the neural circuits in the brain that lit up when the volunteers were viewing photos of the hated person.

They found that the hate circuit includes parts of the brain called the putamen and the insula, found in the sub-cortex of the organ. The putamen is already known to be involved in the perception of contempt and disgust and may also be part of the motor system involved in movement and action.

"Significantly, the putamen and the insula are also both activated by romantic love. This is not surprising. The putamen could also be involved in the preparation of aggressive acts in a romantic context, as in situations when a rival presents a danger," Professor Zeki said.

"Previous studies have suggested that the insula may be involved in responses to distressing stimuli, and the viewing of both a loved and a hated face may constitute such a distressing signal."

One major difference between love and hate appears to be in the fact that large parts of the cerebral cortex – associated with judgement and reasoning – become de-activated during love, whereas only a small area is deactivated in hate.

"This may seem surprising since hate can also be an all-consuming passion like love. But whereas in romantic love, the lover is often less critical and judgemental regarding the loved person, it is more likely that in the context of hate the hater may want to exercise judgement in calculating moves to harm, injure or otherwise exact revenge," Professor Zeki said.

"Interestingly, the activity of some of these structures in response to a hated face is proportional in strength to the declared intensity of hate, thus allowing the subjective state of hate to be objectively quantified. This finding may have implications in criminal cases."


Fonte: www.independent.co.uk/news/science

Friday, October 31, 2008

Escolher processos mentais apropriados em função da tarefa não é fácil

Economic game provides fresh insights into borderline personality disorder

In the first study of its kind, psychologists have used an economic game to investigate the behaviour and brain processes of people diagnosed with a personality disorder.

Brooks King-Casas and colleagues recruited dozens of people with borderline personality disorder (BPD) to play the role of trustee in an economic game. People with this disorder tend to have unstable personal relationships and difficulty regulating their emotions. Healthy participants were recruited to play the part of investor and/or trustee.

Over several rounds, the game involved the investor choosing how much money to pass to the trustee. The investment was automatically tripled and then the trustee had to decide how much money to pass back to the investor. For maximum returns, both parties need to cooperate. If the trustee is unfair in the returns he gives back, the investor will likely reduce his investments on future rounds, meaning less profit for everyone.

The researchers found that cooperation broke down when a person with BPD played the role of trustee. They failed to recognise smaller investments as a sign that the investor was losing trust. Healthy trustees, by contrast, responded to a distrustful investor by increasing the returns they gave, thereby coaxing back the investor's trust and provoking a return to larger investments.

Brain scans taken while the participants played the role of trustee showed that healthy participants, but not participants with BPD, showed greater activity in the anterior insula as investments reduced in size (this is a brain region known to be involved in fairness, as well as sensing the body's internal states). Perhaps because of their low expectations for how others will treat them, the participants with BPD didn't appear to recognise a low investment as unfair. Consequently, they didn't attempt to restore the investor's trust, thus leading to a collapse of cooperation.

In a commentary on the study, published in the same journal issue, 
Andreas Meyer-Lindenberg welcomed this pioneering use of an economic game for the study of mental health. "The correspondence of these brain findings to current psychotherapeutic practice is remarkable," he also noted. "The most effective treatment of borderline personality disorder, dialectical behaviour therapy, is based on the assumption that patients lack skills in interpersonal regulation, and attempts to build these abilities."
_________________________________

ResearchBlogging.orgB. King-Casas, C. Sharp, L. Lomax-Bream, T. Lohrenz, P. Fonagy, P. R. Montague (2008). The Rupture and Repair of Cooperation in Borderline Personality Disorder Science, 321 (5890), 806-810 DOI: 10.1126/science.1156902

A. Meyer-Lindenberg (2008). PSYCHOLOGY: Trust Me on ThisScience, 321 (5890), 778-780 DOI: 10.1126/science.1162908


Thursday, October 30, 2008

Plásticas fazem-nos felizes por dentro

Botox makes us happy

Alex Tabarrok

It's long been known that simply smiling makes people feel better and making an angry face can make people feel more angry.  Thus some cosmetic surgeons speculated:

People with Botox may be less vulnerable to the angry emotions of other people because they themselves can’t make angry or unhappy faces as easily. And because people with Botox can’t spread bad feelings to others via their expressions, people without Botox may be happier too.

Amazingly, a recent experiment in the journal Cerebral Cortex supports this theory, although the abstract is a mouthful.  You can read a summary here.

We show that, during imitation of angry facial expressions, reduced feedback due to BTX treatment attenuates activation of the left amygdala and its functional coupling with brain stem regions implicated in autonomic manifestations of emotional states. These findings demonstrate that facial feedback modulates neural activity within central circuitries of emotion during intentional imitation of facial expressions. Given that people tend to mimic the emotional expressions of others, this could provide a potential physiological basis for the social transfer of emotion. 

Friday, October 24, 2008

regiões do cérebro envolvidas no risco

Vejam esta revista sobre neurónios. No número de Setembro fala-se das diferentes regiões do cérebro envolvidas na tomada de riscos, oq ue poderia levar economistas a construirem modelos melhores dos comportamentos de investimento das pessoas. A antecipação de uma recompensa estimula a área de risco do cérebro e aumenta a probabilidade de indivíduos passarem de um investimento conservador e avesso ao risco para um comportamento de investimento de risco. Esta descoberta é também importante para as estratégias de marketing usadas pelas companhias de seguro.

Tuesday, October 7, 2008

Autores mais bem pagos

Vejam o link em:
TOP 10 BEST-PAID AUTHORS
1. JK Rowling - $300m (£170m)
2. James Patterson - $50m (£28m)
3. Stephen King - $45m (£25m)
4. Tom Clancy - $35m (£20m)
5. Danielle Steel - $30m (£17m)
6. John Grisham - $25m (£14m)
6. Dean Koontz - $25m (£14m)
8. Ken Follett - $20m (£11m)
9. Janet Evanovich - $17m (£10m)
10. Nicholas Sparks - $16m (£9m)
Source: Forbes magazine

http://news.bbc.co.uk/2/hi/entertainment/7649962.stm
JK Rowling
JK Rowling has sold more than 400 million copies of her books worldwide

JK Rowling is the world's highest-earning author, making more than £5 every second over the past year, US business magazine Forbes has announced.

The Harry Potter writer, who made a total of $300m (£170m) last year, wrote the first of her best-selling books about the boy wizard in 1997.

Her income was six times more than literature's next-biggest earner, James Patterson, of Along Came A Spider fame.

The magazine described her work as "a children's literary sensation".

Potter franchise

A Forbes spokesman said: "It was wizardry that transformed JK Rowling from a destitute single mother on welfare into a best-selling billionaire.

Friday, October 3, 2008

Tao e gestão de empresas

Taoists act with their sages intuitive, spontaneous and harmonized with their environment. Lao-tsu taught us that, if we match perfectly with the nature through "non-action" , there would be nothing impossible to accomplish. Viewing Tao as a continuous reaction between the two opposite energies, they tended to be optimistic in adversity and be prudent in prosperity. To carry out something, they begin with the opposite: " Expand before contraction, enforce to weaken, exalt to eliminate, give to take, etc." If you want to push something forward, there would be always a lot of hurdles. All the reactions would try to prevent you from realizing your objectives. If you pull it instead, there would be the opposite reactions. The power is usually shorter-term but even stronger. When the power gets ready to launch by itself, all you have to do is just let it go. It will go alone in your direction, and you will see your objective accomplished. If it is hard to understand, imagine "archery". To let an arrow to go forward in the right direction, you pull it instead of throwing it. Don' t pull too strong nor too weak. Release it when your influence disappears. 
Yeah! That' s it. It' s the spirit of non-action.

Non-action as well as making a detour for access are the key principles in any aspects of Japanese culture, arts, Aikido, Judo, Karate, and management.


Fonte: www.insurance-finance.com/cogito1.htm

Redistribuir o capital em função dos votos

Sergio Lub (Thinking Outside the Box): Monetizing social capital


Monetizing social capital

My Concern
Quite often good people are broke while crooks live in affluence. How to improve the system so we grant credit according to a person's standing within the community

My Solution
To grant credit proportional to the number of positive referrals received. Thus, the most appreciated members of a community will have the most resources to work with.
A prototype exists and has been tested with Favors.org community and its ThankYou's system.

Boom Festival a reciclar as águas

Water Treatment in Full Swing On Site

All water from the showers is being recycled. Through our water treatment systems we managed to evaporate 200,000 liters of water from the showers. Now we have 1,200,000 liters of water waiting in a lake for further treatment based on aquatic plants as you can see in the photo. The plants are azolla sp, eichordia sp, lemna sp, typha sp, phragmites sp, juncos sp and cyperus sp. The water will be monitored by a local laboratory and within some months when clean, will be return to the source. This is Booms contribution for a new awareness of water recycling.


Thursday, October 2, 2008

Despertar uma nova consciência na humanidade: entrevista ao criador do Boom

Diogo Ruivo, 35 anos, visionário, formado em engenharia, é o fundador da Good Mood que lançou e produziu o conceito Boom.

 

Como se envolveu na organização de festivais como o Boom? De onde 

vem a sua vertente mais ecológica?

 

Diogo Ruivo - Penso que todos os momentos de maior visibilidade que um grupo de seres humanos obtém durante a sua vida tem sempre, na sua origem, um ponto de partida simples e orgânico.

O meu envolvimento com o mundo das artes e filosofias alternativas formou-se ainda enquanto criança. Tive o privilégio de uma educação baseada na experiência e com forte componente de criatividade, que me levaram, em adulto, a envolver-me sempre com projectos culturais, artísticos e inovadores.

Durante toda a minha infância e adolescência viajei extensivamente pelo mundo, o que me trouxe uma paixão pela diversidade e beleza ímpar deste planeta onde habitamos. O contacto com diversas culturas e o convívio constante com a natureza fizeram com que a minha percepção fosse sempre aguçada.

Com o decorrer do tempo, apercebi-me do “impacto” do ser humano. E daí nasceu a necessidade de tomar uma posição relativa às alterações que infligimos ao meio ambiente, e por conseguinte passar a informar os que me rodeiam das necessidades ecológicas básicas.

 

Como pensou na estrutura do Festival, organização, participantes para palestras, etc?

 

O nosso mote é a avaliação e readaptação para uma constante evolução. Tentamos atingir a excelência através de métodos mais sociais e sustentáveis, que nasçam de um novo conceito de entretenimento. Para nós não se trata apenas um meio hedonista, deve fornecer soluções às pessoas.

Como pesquisadores de soluções para o futuro da Humanidade através das propostas do festival - nomeadamente no desenvolvimento de projectos ao nível de saneamento de águas e energia - temos tido sempre o privilégio de estarmos em contacto com alguns dos visionários mais activistas de diferentes sectores, como por exemplo o Ecocentro IPEC do Brasil. As nossas escolhas são o resultado de muita investigação e diálogo com pessoas dotadas de uma visão singular em diversas áreas, desde o design para a sustentabilidade até técnicas e filosofias para relacionamento em grupos humanos, passando por economia verde, enteogéneos, ciências sociais e arte visionária.

 

 

Qual foi o balanço do Boom anterior em termos de festival auto-

sustentado?

 

A edição de 2006 do Boom Festival foi sem sombra de dúvida a de maior sucesso até à data. Pela primeira vez, conseguimos atingir o objectivo de criar um impacto positivo com um evento. Acreditamos que minimizar impactos ambientais é coisa do passado, hoje as acções ecológicas devem influir positivamente no ambiente. Por outro lado, conseguimos manter a nossa política económica e visão de evento de larga escala, totalmente independente do mercado de patrocinadores, que não se encaixam na nossa ética ecológica e social.

Do ponto de vista de infraestruturas, podemos focar três grandes pontos: água, energia e resíduos. Para o primeiro, preocupamo-nos em estudar os ciclos locais de água e desenvolvemos um método sinergético de fechar o ciclo de uso de água do próprio evento. Através de técnicas orgânico-biológicas - como a evapo-transpiração e bio-remedição em lagoas por nós criadas, conseguimos reciclar e fechar todos os ciclos de água iniciados com o Boom. Tornamo-nos assim no primeiro evento de larga escala que recicla todas as águas que consome, nomeadamente nos chuveiros.

Na energia, iniciamos um estudo de dois anos do consumo efectivo do evento que irá culminar com a redução e adopção de diversos sistemas energéticos sustentáveis em 2008. A nossa visão é chegarmos a 2010 com o Boom festival totalmente sustentável a nível energético. Em 2006, focámos o uso de energia sustentável em sistemas fotovoltaicos – tendo os escritórios e cozinha dos trabalhadores sido electricamente alimentados durante 4 meses unicamente a partir do Sol, por exemplo, bem como duas das sete áreas culturais do evento.

 

E nos resíduos e esgotos?

 

Foi também em 2006 que a gestão de resíduos passou a abranger o contacto, informação e educação ecológica do público – formámos assim equipas especializadas em consciência ecológica a que demos o nome de Ecoteam.

A Ecoteam, conjuntamente com os serviços municipalizados e outras equipas contratadas, conseguiram manter todo o recinto impecavelmente limpo durante toda a semana do evento, e em simultâneo procederam à reciclagem de quase 30% de todos os resíduos produzidos antes, durante e após o evento. Por outro lado, cerca de 60% da matéria orgânica produzida no evento foi compostada, estando o solo proveniente desta compostagem guardado para fertilizar os jardins do Boom festival 2008.

 Iniciámos também o estudo e aplicação de sanitários secos compostáveis. Tendo os resultados deste teste piloto superado em muito as nossas expectativas. Conseguimos uma aceitação total por parte dos participantes do evento que elegeram os ditos sanitários como os melhores já usados, bem como tendo conseguido diminuir drasticamente o esforço extra para as ETARs locais e, por conseguinte, o meio ambiente circundante.

A matéria orgânica resultante destes sanitários foi posteriormente compostada e em seguida processada por minhocário. No final, obtivemos Húmus do mais alto valor mineral. Assim conseguimos mais uma vez fechar um ciclo naturalmente e com responsabilidade ecológica. Evitámos impactos naturais e ainda gerámos fertilizantes e húmus.

 

Que outras iniciativas tornam este festival único na sua vertente 

ecológica?

 

Conseguimos há já algum tempo desmistificar o conceito de que ter éticas e atitudes sustentáveis significa um esforço económico desmesurado. Pelo contrario, há um ganho incalculável no futuro.

Em termos práticos, temos fomentado toda a montagem e construção do evento com métodos, matérias e técnicas sustentáveis. Procuramos sempre criar uma ética de trabalho socialmente equilibrada. Apoiamos entidades e pessoas que ainda detenham sabedoria arquétipa de construção e design de estruturas sustentáveis - como por exemplo a contratação de arquitectos de Bali em 2006 para construírem com bambú.

Simultaneamente, temo-nos tornado também num ponto difusor destas sabedorias e soluções. Iniciamos, em parceria com o Ecocentro IPEC do Brasil, uma série de formações e consultorias nas áreas de Permacultura, bioconstrução e bioengenharia, cursos estes que serão lecionados inclusive durante a construção do próximo Boom.

 

 

Boom Festival: um exemplo de nova economia

Os criadores do Boom, um festival de electrónica nacional, decidiram ter um evento auto-sustentado, ecológico e inovador para criar impacto num novo paradigma da consciência. Veja as lições a retirar desta mega organização


A pacata cidade de Idanha-a-Nova está agitada, apesar do calor de Agosto. Nos multibancos e cafés, bandos de extraterrestres, com cabelos em corda (deadlocks), corpos pintados e tatuados, aguardam pacificamente. Contrariamente a outros festivais do país, não há garrafas espalhadas e lixo por todo o lado. A poucos quilómetros, perto da barragem, decorre o Boom Festival, um evento de cultura independente. “Boom is a no-corporate logo area”, anunciam as primeiras páginas do livro lançado este ano para comemorar os 10 anos do festival. Não há patrocínios nem empresas, e no entanto uma politica de voluntariado e organização, bem como o aproveitamento de novas técnicas de reciclagem e geração de energia são um case-study para o mundo empresarial mais ambicioso.

No início de 2008, por exemplo, começou a recolha de óleo vegetal usado domestico a utilizar como combustível nos geradores do festival de Agosto deste ano. O projecto “O Seu Óleo é Música” significa que a energia para manter uma semana de festival num local completamente isolado virá desta reciclagem, para além de energia solar. “Iniciamos a recolha de óleos vegetais usados nos cerca de 5800 domicílios de todo o concelho para posterior processamento e filtragem. Este projecto assenta numa perspectiva de intervenção comunitária  - tanto dos efeitos nocivos dos óleos usados como suas possíveis soluções sustentáveis - passando pela diminuição da carga de geração de carbono durante o Boom Festival 2008. Pretendemos que todas as áreas de grande consumo eléctrico do evento sejam providenciadas por geradores que irão consumir óleo vegetal usado da própria região.  A nossa visão é mais uma vez criar uma economia positiva a nível de créditos de carbono, juntando sempre o factor educacional no pacote total de acção”, explica Diogo Ruivo, produtor do evento.


As casas de banho são compostáveis, os esgotos tratados. A Câmara de Idanha agradece, e já em 2006 recebeu adubo orgânico gerado pelo festival. O evento, dedicado à musica electrónica e o despertar de uma nova consciência planetária, desenvolve projectos pioneiros na área da sustentabilidade ambiental. Conferências durante o dia sobre permacultura, calendário maya, shamanismo, yoga, massagens, tendas de dança, espaços para “estados alterados de consciência” e muito mais transformam o que poderia ser um acontecimento explosivo num manifesto de cultura alternativa pela paz e pela reunião das diversos tribos de inovadores espelhadas pelo planeta.

Visualmente, o festival é uma inspiração que traz os maiores inovadores da arquitectura, design e artes em geral para o palco. Estruturas de bambu que vieram da Indonésia, tendas circulares geodésicas (esfera dividida em triângulos), explorações criativas do mundo inteiro e outros colocam este evento português no topo dos mais procurados do mundo, a par do Burning Man (Estados Unidos) e Fusion (Alemanha).

“Eventos como o Boom tem um potencial de transformação enorme. A reunião de milhares de pessoas por um tempo limitado é uma oportunidade de reflexão sobre aspectos comunitários: como nos relacionamos, como ocupamos o espaço e o que deixamos, qual a nossa função ecológica e como satisfazer as necessidades de sobrevivência num equilíbrio com outras espécies?”, explica André Soares, 42 anos, engenheiro de ambiente, especialista em permacultura que criou aldeias, estudou na Austrália e trabalhou largos anos nos Estados Unidos. É o responsável pela sustentabilidade do festival ou o “entretenimento sustentável”, e pelas infraestruturas de choque a instalar nestes eventos, porque estes grupos poluem tanto como cidades, pela sua densidade. “O Boom Festival gera 12 toneladas por dia de excrementos humanos, e estes resíduos podem ser devolvidos ao solo de forma segura, com tecnologias simples e eficazes”, explica Soares, também consultor do MIT, ONU e Banco do Brasil. A idéia é que as pessoas façam uma viagem, para Idanha-a-Nova, em que restauram o seu equilíbrio com a natureza.

Um festival em que as pessoas se divertem é também uma oportunidade de formação. Quando uma casa de banho normal é usada, 20 litros de água potável são escoados. Na versão compostável, seca, os resíduos, tapados com serradura, caem para uma câmara onde um processo biológico elimina micro organismos. Este composto é depois levado para camas de minhocas, que digerem o produto e o transformam em húmus – cinco metros cúbicos por ciclo. Todas as águas usadas no festival, em duches e cozinhas, passa por jardins húmidos, onde se evapora num leito de plantas aquáticas que removem minerais. Essas plantas podem mais tarde ser usadas como fertilizantes. A água que resta fica em charcas, com micro organismos que continuam os ciclos biológicos de digestão do excesso de sabonete e outros químicos. Depois de algum tempo, cria-se um ecosistema de plantas e animais, e a água pode ser usada para regas.


O que surpreende num evento desta dimensão é o facto de não haver papeis e lixo. As pessoas decalcam-se para entrar nas tendas de dança, cobertas de tapetes. Um Eco Team de 200 pessoas limpa constantemente o local. Muitos são voluntários que aparecem na reunião da manhã, e trabalham a troco de refeições grátis (vegetarianas por sinal, com profusão de sumos e batidos verdes) – é lhes-dado um prato especial que conservam (feito de barbas de milho e reutilizável, na medida do possível).

Finalmente, o Liminal Village, área do festival onde as conferências tem lugar durante o dia, com projecções de filmes também, é o local onde se podem descobrir contactos com os especialistas mais avançados na arquitectura ecológica, permacultura, aquacultura, sistemas biológicos que podem ser replicados no mundo urbano e estruturas de gestão de pessoas – com custos reduzidos. As lições do Boom aplicam-se num contexto visionário, e podem ser uma boa plataforma para futuras empresas de sucesso na inovação.

 


 

Wednesday, October 1, 2008

Drazen Prelec

As multidões acertam melhor nas previsões

 

Um especialista do MIT em neuroeconomia foi ao Iese falar das melhores fontes para prever decisões do público. Drazen Prelec, cientista na fronteira da economia e psicologia, revela surpresas sobre o comportamento dos mercados.

 

Entrevista adaptada por Géraldine Correia

 

 

É possível que os inquéritos na Internet, que recorrem à sabedoria das multidões, substituam as decisões de comissões e gestores isolados, considera Drazen Prelec, Professor de Ciência da Gestão no MIT. Este professor revelou novas técnicas no FUR XIII (The Foundations and Applications of Risk, Utility and Decision Theory). Explicou entre outros como funciona o seu “soro da verdade”, um método com perguntas por pares, específicas, que permitem obter respostas honestas das pessoas sobre questões difíceis de verificar (veja caixa). Empresas como a Hewlett Packard e Google já usam mercados de previsão internos, ou seja recorrem a uma espécie de audiência para testar os resultados mais prováveis. Estas audiências apostam em níveis de vendas para novos produtos, ou questões sobre se um lançamento será feito atempadamente ou não.  “O sistema permite recorrer às próprias previsões das pessoas, mas também às previsões das previsões de outras pessoas...”, diz Prelec.

Assim, a Web vai liderar nos sistemas de voto ou pontuação alternativos, que começarão a substituir reuniões informais. “A Internet permite acumular rapidamente e avaliar as previsões e opiniões de pessoas, tanto nas empresas como fora delas. Estes mecanismos podem corrigir juízos... supostamente superiores, mais objectivos, do que aquilo que uma comissão ou um gestor podem produzir”, salienta.

 

Cartões de crédito anestesiam o cérebro

 

Drelec tem revelado alguns processos neurológicos que podem alterar a forma como vemos os mercados. Num estudo recente no MIT, provou que as pessoas pagam mais quando lhes pedem para usar o cartão de crédito do que quando lhes pedem dinheiro. O estudo mostra mesmo que as pessoas estão dispostas a pagar mais 100% com o cartão de plástico.

Quando compramos algo com dinheiro, a compra envolve uma perda real – o nosso porta-moedas fica mais leve. Os cartões de crédito tornam a transacção abstrata, para que não se sinta este efeito de gastar dinheiro. O cartão tira partido de algumas falhas cerebrais. Experiências com imagens do cérebro mostram que o pagamento com cartão reduz a actividade na insula, uma área do cérebro associada a sentimentos negativos. É como se o cérebro ficasse anestesiado face à dor do pagamento.

Drazen Prelec e um colega, Duncan Simester, organizaram em evento real para ter um leilão privado de bilhetes para um jogo dos Celtics de Boston. Metade dos participantes no leilão foram informados de que teriam de pagar em dinheiro, a outra metade com cartao de crédito. As licitações feitas pelos que pagavam com cartão foram duas vezes mais elevadas do que as licitações médias do grupo de pagamento em dinheiro. As pessoas com Visa ou Mastercard não conseguiram conter o desejo e gastaram muito mais do que tinham. O paper dos dois professores do MIT ficou com o título, “Always leave home without it”, Saia sempre de casa sem ele – o cartão).

Outras pesquisas mostraram que existem mecanismos neuropsicológicos específicos que estão ligados ao sentimento de perda potencial das nossas posses. As pessoas tendem a preferir os produtos que têm face aos mesmos produtos que não têm. Este efeito contradiz a teoria da escolha racional, que indica que a propriedade de algo não influencia as preferências do indivíduo.

 

Dói perder algo que possuímos

 

Um exemplo clássico do efeito (Endowment Effect) identificado por Prelec é o mercado imobiliário. As pessoas tendem a valorizar as suas casas mais do que seria justificado por aquilo que o mercado paga (geralmente 12% acima do preço de mercado). Quando há uma crise, as pessoas tentam vender a casa por uma média de 33% mais do que o valor de mercado. As pessoas agarram-se ao que têm e pedem um preço mais elevado por isso. Num leilão, também tememos perder algo que vamos obter, e perseguimo-lo com preços mais altos.

Prelec e outros estudaram três regiões do cérebro de pessoas a quem se pediu para comprar certos produtos e vender outros, dados antes da experiência, e escolher entre outros produtos e dinheiro. As três áreas do cérebro estão associadas respectivamente à previsão de ganhos monetários e preferência por produtos, previsão de perdas monetárias e actualização de previsões iniciais de lucros monetários. Em resumo, a experiência mostra que o facto de possuir aumenta o valor do produto, sublinhando a perda possível do produto preferido. Existe um mecanismo de aversão à perda de posses durante a venda. Por isso, os métodos da neurociência podem fazer avançar a teoria económica, questionando temas como o da escolha e dividindo-os em componentes específicas, como a antecipação de perda ou ganho, indicando também quando cada uma destas componentes entra em jogo.

É importante salientar que há diferenças individuais na intensidade deste efeito Endowment. A activação em todas as pessoas da região da insula previu o valor que atribuíam por um produto, mas cada indivíduo mostrou uma maior ou menor sensibilidade, podendo até mudar com o tempo e acontecimentos recentes da sua vida. A área da insula é activada quando alguém tem medo de perder algo, e isso cria uma dor imaginária. A ideia de desistir de um produto é dolorosa, e atribuímos-lhe um valor mais alto. Daí o fenómeno dos investidores que não desistem de acções em queda, sobretudo as que têm uma história de sucesso por detrás – é-lhes doloroso.

 

O soro da verdade

 

No que respeita ao “soro da verdade” de Prelec, que o denominou Bayesian truth serum, a intenção é encorajar as pessoas a darem opiniões honestas. Por exemplo, primeiro pergunta-se a alguém, “Vai votar nas próximas eleições presidenciais?”, ou “Teve mais de 20 parceiros sexuais no último ano?” Depois pede-se ao inquirido para avaliar quantas outras pessoas responderiam da mesma forma. Prelec explica que., se as pessoas têm mesmo uma certa opinião, tendem a dar estimativas mais altas sobre a probabilidade de outras pessoas também terem essa opinião. Assim, se a pessoa teve mais de 20 parceiros sexuais recentes, mas mentiu, essa pessoa vai pressupor provavelmente uma taxa mais elevada de pessoas com mais de 20 parceiros do que alguém que não teve tantos parceiros.

Prelec descreve uma situação em que duas pinturas são vistas por um grupo de dez pessoas, a quem se pergunta depois, em privado, para escolherem o seu quadro favorito. Sete pessoas dizem que preferem a pintura A, três a B. Se, na segunda pergunta, as dez pessoas dizem que pensam que toda a gente preferiu o quadro A, então é porque as três pessoas que escolheram o B serão a aposta mais segura face ao facto de terem dito a verdade. Porquê? Isto porque, diz Prelec, apesar de terem pensado que o A seria mais popular, mesmo assim escolheram o outro quadro.

Ou seja, pensar que os outros vão estar em desacordo é uma forma de ver se as pessoas estão a dizer a verdade. A fórmula funciona melhor em grupos de dez ou mais pessoas. Conseguir respostas verdadeiras de pessoas com afirmações subjectivas é crucial em inquéritos e análises para determinar politicas governamentais e financeiras. O método resume-se em fazer as perguntas aos pares e analisar a relação entre as respostas. É a percepção daquilo que poderá ser a resposta dos outros que dá pistas sobre a verdade ou não da resposta da própria pessoa.

“Geralmente pensamos na nossa opinião como algo que mais ninguém sabe. Mas os nossos juízos estão relacionados com os dos outros”, refere. Este método é particularmente eficaz para identificar opiniões que contradizem a sabedoria convencional. Prelec acredita que as pessoas gostam de dar pontuações altas, e ficam assim motivadas para dizer a verdade.

 

Internet para previsões certeiras

 

Finalmente, no que respeita às aplicações práticas desta espécie de sabedoria das multidões, Prelec e uma equipa da Sloan criaram uma ferramenta com base na Web. Trata-se do Virtual Customer Initiative, VCI, que inclui cálculos complexos, capacidades multimédia e interactividade na Web para obter com precisão feedback de clientes. Está disponível online e é grátis. Um produto que saiu desta ferramenta e igualmente promissor é o Intelligent Advice Module (IAM, Módulo para consultas inteligente). É um aparelho que cabe numa mão, com internet sem fios, em que os utilizadores podem programar preferências de compra pessoais para tomarem decisões de compra mais informadas.

O VCI ajuda as empresas a determinar o que os clientes desejam de forma mais rápida e precisa do que as ferramentas tradicionais de pesquisas de mercado – um projecto de estudo de mercado que demora seis semanas custa muito caro. Existem seis métodos baseados na Web para apontar as preferências de consumidores: características desejadas, leque de preços, design, etc. Através da interacção, surgem produtos vencedores. O VCI foi testado em oito novos modelos de veículos, e os que foram apontados como fracassos acabaram por sê-lo. Os especialistas criaram seis ou sete perguntas para obter os resultados, obtidos geralmente com mais de 30 perguntas.

Outro exemplo: a câmara fotográfica Polaroid I-Zone descobriu que os compradores gostariam de pode mudar as capas do aparelho, algo que a equipa de desenvolvimento não tinha previsto. O I-Zone foi modificado e é um caso de sucesso.

O próximo aparelho baseado nestas teorias de Prelec e outros colegas é o IAM, que associa as escolhas de produto anteriores de um indivíduo com preferências actuais e outros dados, para produzir uma decisão que corresponde às prioridades do utilizador. O potencial do IAM funciona, por exemplo, no busca de uma casa. Introduzem-se as características pretendidas – próximo do trabalho, escolas boas, etc. – e uma análise estabelece prioridades. No final pode-se revelar que ter uma casa com terreno afinal não é importante. A tecnologia torna as pesquisas mais eficazes de coisas para comprar e fazer.

 

 

Caixa

Um economista na ciência cognitiva

 

 

As pesquisas de Drazen Prelec, Ph.D. da Sloan School of Management no MIT, estão relacionadas com a psicologia e neurociência da tomada de decisões (economia comportamental e neuroeconomia; escolhas de risco, factor rempo, auto-controlo, comportamento de consumidores). Trabalha em simultâneo no desenvolvimento da teoria das decisões normativas e na exploração dos fracassos empíricos dessa teoria, com base noutras técnicas.

Um projecto recente sobre self-signaling, sinais próprios, procura perceber o estranho poder da motivação não-causal – quando os indivíduos preferem acções que são diagnósticos de resultados positivos, mesmo que essas acções tenham pouca ou nenhuma força causal. A motivação do diagnóstico é real, e provavelmente essencial para o auto-controlo humano. Os seus mecanismos cognitivos e neurológicos não são bem percebidos, todavia.

Outro projecto, do soro da verdade, lida com sistemas de pontuação para avaliar juízos individuais e colectivos em áreas de conhecimento em que não existe um critério de verdade exterior. Por exemplo, previsões de longo prazo, influências politicas ou históricas, interpretações jurídicas ou artísticas. Criou sistemas de pontuação que premeiam juízos honestos, e que podem identificar a verdade mesmo quando a opinião da maioria está errada.